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O nome dela é Cleo

O enredo de estreia fora decidido sem muita participação de nossa personagem principal: filha da atriz Glória Pires e do cantor Fábio Júnior, dois ícones da cultura brasileira, Cleo nasceu sob a atenção de um país inteiro. Foi criada pela avó materna (uma importante referência feminina), enquanto a mãe – de quem ela fala com muito orgulho – conquistava espaços inéditos para uma mulher. Cleo afirma que cresceu com muita liberdade e independência, aspectos que a tornaram ainda mais forte. Hoje, no ar, na pele de Betina, Cleo brilha em outras áreas, como a Música – um terreno que ela passou a desbravar muito recentemente, embora sempre pulsasse forte em sua vida (o padrasto, Orlando Morais, também teve influência determinante em sua disciplina musical). Ela conversou conosco sobre essa nova fase profissional.
 
Você costuma dizer que sempre teve muita liberdade. Foi criada pela avó; filha de uma mãe que assumiu sozinha a maternidade... você teve muitos exemplos inspiradores de mulheres fortes, decididas. Como isso te moldou?
 
Grande parte dessas referências femininas que tenho me moldaram como mulher, mas principalmente como ser humano em si. Eu convivo com mulheres muito fortes, donas de si e pude absorver isso e trazer para a minha vida; algo pelo qual sou grata. Além do fato de que toda a minha família sempre respeitou e incentivou a liberdade e independência, elas me mostraram que não existe um jeito certo de ser mulher, mas sim o seu jeito de ser mulher, e que isso é permitido e é maravilhoso. Tudo isso junto me ajudou a ser a mulher que sou hoje. 
 
 
 
Quais mulheres te inspiram? E por quê?
 
Difícil citar apenas uma, são algumas e que me inspiram de diferentes maneiras. Mas gosto de falar sobre minhas avós, Odícia e Elza (já falecida), que me ensinaram muito e são mulheres que admiro e continuam sendo verdadeiras inspirações. Minha mãe também é uma inspiração, ela foi mãe solteira e atriz em uma fase que era muito difícil para a mulher, teve que abrir mão de muita coisa para ser respeitada, assim como abrir mão de coisas para que eu, futuramente, não precisasse passar pelas mesmas situações para ser respeitada.
 
 
 
Em tempos de tanto debate sobre feminismo e empoderamento da mulher, quais são as conquistas a celebrar?
 
Sim, foram muitas conquistas. Por exemplo, nós conseguimos o direito de votar, de ir trabalhar sem precisar da permissão do marido. Lutamos bastante para o assédio sexual no trabalho ser considerado crime, embora só em 2001 isso tenha acontecido; temos também a Lei Maria da Penha para proteção às vítimas de agressão doméstica, enfim, muitas coisas. 
 
No entanto, ainda há muito para fazer. A meritocracia, por exemplo, que é ganhar pelo o que você produz, por seu mérito e o quão bom profissional você é, independentemente do gênero. Porém, em uma sociedade na qual houve séculos de opressão, não só em relação a mulher, é difícil de conquistar. O homem teve a oportunidade de evoluir muito além da mulher, e mesmo conseguindo competir no mercado de trabalho, sustentar a própria família, ainda assim recebemos salários menores que os homens para realizar a mesma função, ou seja, ainda há muito o que fazer e acredito na força do movimento feminino para promover a mudança capaz de extinguir o machismo e o discurso patriarcal enraizados em nossa sociedade. 
 
 
 
Você se lançou como cantora e agora, além de seu pai e seu irmão, a família conquistou mais uma cantora. Eles te deram dicas? Quais as participações de ambos neste teu momento? 
 
A minha família me apoiou bastante neste processo. Eles sabem o quanto amo cantar e o quanto isso é importante pra mim, mas não houve uma interferência na produção musical. O meu pai Orlando [Morais, seu segundo pai, que a criou e educou] acompanhou mais de perto a fase inicial, mas o meu pai Fábio desde quando eu comecei a trabalhar como atriz ele perguntava quando eu ia começar a carreira como cantora, pois ele sabia que era isso o que eu queria fazer. Mas a minha identidade musical é bastante diferente das produções dos meus pais e irmãos, então o apoio foi mais emocional, mesmo. 
 
 
 
Falando em música, o que tens ouvido com mais frequência? Quais são tuas maiores referências e inspirações quando se trata de música?
 
Nossa, eu tenho um gosto bastante eclético, ouço desde Elis Regina até Nine Inch Nails. Atualmente tenho escutado bastante SZA, acho ela maravilhosa, Drake, Caetano Veloso, Karol Conka, Pabblo... É bem misturado. As minhas referências musicais também são diversas, adoro o som da Alanis Morissette, Marina Lima, enfim, são vários!  
 
 
 
Você está no ar em uma novela com enredo delicioso e a sensação que tenho é que vocês se divertem muito em cena... Qual teu sentimento?
 
Sim, as gravações sempre têm uma vibe boa, alto astral. Eu estou muito feliz com a novela e a repercussão que temos tido, o sentimento com certeza é de felicidade. A Betina tem sido uma personagem muito instigante para mim, pois há toda uma complexidade nela que tem sido interessante explorar. Inicialmente ela foi apresentada como uma mulher moderna, para frente, mas o que ela se tornou hoje na trama é completamente diferente. Ela é mais uma mulher que acha que é moderna, mas tem a vida girando em torno de um homem e, por causa dele, ela desce em uma espiral negativa. Acho que ela demonstra a fragilidade feminina e como ficamos refém dos relacionamentos e não vemos o cenário geral. 

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