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Exótico?!? Aqui não!

Texto: Angela Sicilia

Ilustração: Felipe Moia

Volta e meia ouço, com alguma surpresa, a mídia se referir às coisas do Pará com o adjetivo “exóticas”. Aí me dá um certo tilt, confesso.

Exótico, por definição, é algo que não “é originário do país em que ocorre; que não é nativo ou indígena”... ou seja: nada da nossa gastronomia é exótica.

Concordo que se diga que é diferente, estranho... afinal, neste Brasilzão são pelo menos 6 grandes biomas diferentes; uma população miscigenada e muitas - incontáveis - influências dos colonizadores e/ou povos que migraram para nosso país, em busca de oportunidades melhores.

Ai, observo com alguma surpresa, as pessoas dizerem que o tucupi é exótico... mas tudo bem considerar  bacalhau normal, né? Nada contra! Eu mesma gosto de bacalhau, mas não posso concordar com o nariz torcido para aquilo que há de mais genuíno em todo esse território: a ancestralidade indígena.

É bonito demais ver as pessoas descobrirem um Brasil que não sabiam existir: tucupi, jambu, farinha... tapioca, beiju, pupunha. Que tacacá a gente toma na cuia, que pupunha é vendida nas esquinas e maniçoba não é “tipo uma feijoada”, até porque maniçoba é mais antiga que a feijoada.

Exótico é a gente consumir o que não é daqui (nada contra, que fique bem claro, mas estamos discutindo o que é da terra), logo, mais caro, menos democrático e pouco engrandecedor ao fortalecimentos dos pequenos produtores.

Eu sugiro fortemente que todos possam conhecer o Brasil e se encantar com a pluralidade que habita este país, mas que possamos discutir a origem das coisas com pés no chão.

Estive recentemente na Thailandia. Que país incrível! Adoram pimenta, comida de rua... falam muito, amam comer! E o que dizer dos espetinhos com escorpiões, grilos e aranhas?

Exótico, não? Só se for pra mim, porque pra eles, é muito, muito natural!


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