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É uma festa portuguesa com certeza

Como Portugal se transforma para festejar seus santos mais populares: João, Pedro e Antônio. Aqui tem festa junina, ó pá!

 

 

 

 

 

 

O cenário é típico do mês de junho. Aos poucos, surgem nas ruas arcos, balões e bandeirinhas coloridas, todas balançando com o vento ora brando, ora intenso, comum desse período do ano. Junto aos enfeites, o cheiro forte das comidas tradicionais ganha mais impacto com o calor do verão, que acabou de dar o ar da graça. É tempo de se acostumar com o som nas alturas e se deixar levar pelas marchinhas populares. Se considerar apenas as primeiras impressões, o cenário sugere um lugar qualquer do país. Mas, como diria Sérgio Buarque de Holanda, o “pai do Chico”, precisamos lembrar das Raízes do Brasil. Afinal, essa é uma cena corriqueira também em Portugal durante esse período. Assim como nós, do outro lado do Atlântico os portugueses comemoram, até hoje, os dias dos santos mais populares da terrinha: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Como sugere a propaganda, desapegue. É preciso esquecer um pouco os sabores do vatapá, da canjica e do mingau de milho. As fogueiras são acesas, mas para assar milhares de sardinhas que, colocadas em fatias de pão, são distribuídas pelas ruelas de Lisboa. Novamente, desapegue. Deixe de lado a imagem de que sardinha vem em lata e com gosto forte. Essa, fresca e assada na hora, tem outro encanto.

 

 

 

 

Aproveite o petisco para, claro, degustar um bom vinho, servido nas ruas mesmo. Afinal, é 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, padroeiro da capital de Portugal. E, além da data sugestiva para os casais brasileiros (pois em Portugal o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro), a cidade fica em festa, com as ruas apinhadas de gente. Para variar, vale experimentar outras presenças garantidas no cardápio: as “bifanas grelhadas”, que nada mais são do que bifes grandes de porco, e o caldo verde, parecido com aquele bem conhecido nosso, mas, para o desespero dos que gostam de incrementos, a porção costuma vir com apenas uma rodela de chouriço.

 

 

 

 

 

A festa não é feita só de comida. Nesse dia os portugueses – e turistas, claro – lotam os bairros mais antigos de Lisboa para desfilar com as suas fantasias e entoar as suas canções, numa espécie de carnaval do velho continente. Quem não desfila, aprecia e acompanha a movimentação, que costuma durar até altas horas da madrugada.

Mais ao norte, no Porto, a celebração é diferente. Na cidade, fogos de artifício iluminam o céu exatamente à meia-noite. Não é réveillon.

Essa é a tradição para celebrar, na passagem de 23 para 24 de junho, o dia de São João. O espetáculo dos fogos refletidos nas águas do rio Douro fica ainda mais interessante com os balões de ar quente que sobrevoam o cais da Ribeira, um dos pontos mais bonitos da festa.

Festa que fica animada nas ruas, com uma brincadeira típica, que consiste em populares batendo – de leve, fique tranquilo – um martelo de plástico na cabeça dos foliões que se juntam à multidão. Se levar uma dessas, entenda como um carinho e retribua, de preferência, com um sorriso. E tenha energia de sobra, afinal, para muitos, a noite acaba junto à praia, para ver o nascer do sol.

As festas dos santos populares têm fim no dia de São Pedro, o santo protetor dos pescadores, comemorado em 29 de junho.

Nas vilas tradicionais de pesca de Portugal, como é o caso de Sintra e Évora, as paisagens repletas de castelos medievais ganham mais vida e as ruas são tomadas por desfiles e arraiais. As celebrações em Sintra começam pela manhã, com o hastear da bandeira nos Paços do Concelho  (sim, é com C mesmo). Durante esse dia, aproveitando a grande movimentação de turistas na cidade, costumam ser abertas temporadas de novas exposições de arte.

 

 

 

 

Cidades diferentes, costumes distintos. Porém, algumas tradições são comuns. Uma delas é saltar a fogueira. E, se você estiver andando com a sua melhor companhia, não estranhe se alguém oferecer pequenas imagens dos santos homenageados ou vasos de manjericão. Em Portugal, são sinais de fertilidade e bons fluidos ao casal. Se a simpatia funciona, não há como provar. A certeza é que na decoração de casa, a lembrança vai sempre cair bem.


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